Revisado em: 07/10/2026
- Plantas citadas: 9 plantas medicinais usadas no Brasil
- Para quem é: quem quer entender os usos populares e os cuidados antes de começar
- Cuidado principal: identificar a planta corretamente e conversar com um profissional de saúde
- Quem deve evitar: gestantes, lactantes, crianças, idosos e quem usa medicamentos, sem orientação
O Brasil tem uma das floras mais ricas do mundo, e boa parte dela é usada há gerações em chás, banhos e pomadas. Muita gente cresceu vendo a avó colher folhas no quintal para tratar o incômodo do dia.
Esse saber é valioso, mas natural não quer dizer livre de risco. Algumas plantas interagem com remédios, e outras fazem mal quando usadas por muito tempo.
Neste guia você conhece nove plantas bastante citadas no país, o que o uso popular relata sobre cada uma e quais cuidados valem antes de usar. Também mostramos como cultivar algumas delas em casa.
Planta medicinal e fitoterápico: qual a diferença?
Planta medicinal é a planta usada de forma tradicional para fins de saúde, como a folha fresca para um chá. Já o fitoterápico é um produto industrializado, feito a partir da planta, que passa por controle de qualidade e registro na Anvisa.
Essa diferença importa na prática. No produto registrado, a quantidade de princípio ativo é padronizada. No chá caseiro, ela varia conforme a planta, a parte usada e o preparo.
Fitoterapia é o uso de plantas e de fitoterápicos com finalidade de cuidado em saúde. No vídeo acima, o Dr. Roberto Boorhem comenta a riqueza das plantas brasileiras e o reconhecimento de espécies pela Anvisa.
Plantas medicinais no Brasil e no SUS
O Ministério da Saúde mantém a RENISUS, uma lista de plantas medicinais de interesse para o SUS. Ela orienta pesquisas e programas, mas não é um atestado de que todas as plantas da lista são eficazes.
Estados e municípios também mantêm projetos de plantas medicinais, como as Farmácias Vivas, em que o cultivo, o preparo e a orientação seguem acompanhamento técnico.
O uso tradicional ainda é a base de muitas plantas. Por isso, em cada seção abaixo separamos o que é uso popular do que tem estudo científico.
“Natural não é sinônimo de seguro: a dose, a parte usada e a pessoa fazem diferença.”
— Dica do Plantas para Curar
Como usar plantas medicinais com mais segurança
O primeiro passo é ter certeza de qual planta você tem em mãos. Muitas têm nomes populares iguais para espécies diferentes, como o boldo e a erva-cidreira.
O segundo é não definir a quantidade por conta própria. Neste texto não indicamos doses porque elas dependem da planta, da parte usada, da idade e da saúde de cada pessoa.
Quando houver uso contínuo, converse com um médico ou farmacêutico. Eles podem avaliar interações com remédios e orientar o tempo de uso.
- Confirme o nome da planta com um profissional
- Use plantas limpas e sem agrotóxicos
- Avise o médico sobre qualquer chá que você toma
- Pare o uso se surgir alergia ou mal-estar
- Trocar o remédio prescrito por planta
- Tomar o mesmo chá por muito tempo, sem orientação
- Usar planta colhida em beira de estrada ou sem origem conhecida
- Dar chás medicinais a crianças sem consultar o pediatra
Plantas citadas neste guia
A tabela resume o nome científico e o uso popular mais relatado. Isso não é recomendação de tratamento.
| Planta | Nome científico | Uso popular relatado |
|---|---|---|
| Passiflora | Passiflora incarnata | Calmante leve |
| Aroeira | Schinus terebinthifolia (e outras espécies) | Cicatrização e uso tópico |
| Alecrim | Salvia rosmarinus | Tempero, chá e uso tópico |
| Guaco | Mikania glomerata | Tosse e resfriado |
| Espinheira-santa | Maytenus ilicifolia | Estômago e digestão |
| Boldo-do-chile | Peumus boldus | Digestão |
| Carqueja | Baccharis trimera | Digestão e uso diurético tradicional |
| Erva-baleeira | Varronia curassavica | Dores musculares (uso tópico) |
| Barbatimão | Stryphnodendron adstringens | Cicatrização (uso externo) |
Passiflora: o uso popular como calmante
A passiflora (Passiflora incarnata) é muito conhecida pelo uso como calmante leve, em chás e em fitoterápicos registrados. Existem estudos sobre o efeito dela na ansiedade, mas a literatura científica ainda é limitada.
Não confunda com o maracujá comum, cuja espécie e uso são outros. Ela pode causar sonolência e interagir com remédios que dão sono.
Aroeira: cuidado com o nome repetido
Vários vegetais são chamados de aroeira, como a aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolia) e a aroeira-do-sertão (Myracrodruon urundeuva). São espécies diferentes, com usos e registros diferentes.
O uso popular fala em cicatrização e em aplicações ginecológicas, mas isso deve ser feito apenas com produto indicado por profissional. A aroeira pertence a uma família de plantas que podem causar alergia na pele em pessoas sensíveis.
Alecrim: tempero, chá e tradição
O alecrim (Salvia rosmarinus) é originário da região do Mediterrâneo e foi trazido para o Brasil. Ele contém substâncias como o ácido rosmarínico, estudado por sua ação antioxidante em laboratório.
Na cozinha, é um tempero seguro nas quantidades de uso comum. Em chás e em uso tópico, o uso popular cita digestão, dores musculares e cabelo, mas os estudos em pessoas ainda são limitados.
Gestantes e lactantes devem consultar um profissional antes de usar o alecrim como chá ou óleo essencial. Para plantar em casa, veja o guia como cuidar de alecrim em vaso.
Na tradição popular europeia, o alecrim é associado à memória e à lembrança, e há registros dessa ligação desde a Antiguidade. Trata-se de simbolismo cultural, sem comprovação científica.
Guaco: uso popular para a tosse
O guaco (Mikania glomerata) é muito usado em xaropes e chás para tosse e resfriado. O uso é tradicional e há produtos registrados.
Em geral há alerta para quem usa anticoagulantes e para quem tem problemas de coagulação. Quem tem asma ou bronquite deve procurar atendimento médico, e não tratar por conta própria.
Espinheira-santa: planta do estômago
A espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) é tradicional no tratamento de azia e de desconforto gástrico. Existe fitoterápico com registro, usado sob orientação.
Gestantes e lactantes costumam ter contraindicação. Dor persistente no estômago pede avaliação médica, e não apenas chá.

Boldo-do-chile: atenção ao fígado
O boldo-do-chile (Peumus boldus) é usado por tradição para desconforto digestivo. Não é a mesma planta do boldo comum de quintal, o boldo-brasileiro (Plectranthus barbatus).
O uso prolongado inspira cautela, e há alertas para quem tem doença no fígado ou nas vias biliares. Gestantes, lactantes e crianças não devem usar sem orientação.
Se sentir enjoo, vômito ou diarreia depois do chá, pare e procure um profissional.
Carqueja: efeito sobre pressão e glicose exige cuidado
A carqueja (Baccharis trimera), da família Asteraceae, é muito usada por tradição para a digestão e como diurético. Há estudos sobre vários compostos da planta, mas os dados em pessoas ainda são limitados.
Quem tem hipertensão ou diabetes deve ter cuidado, porque a planta pode alterar a pressão e a glicose. Gestantes e lactantes também devem evitar sem orientação.
Erva-baleeira: uso tópico para dores
A erva-baleeira (Varronia curassavica) é conhecida pelo uso em dores musculares e articulares. Existem produtos tópicos registrados feitos a partir dela.
Siga a bula do produto, pare o uso se houver vermelhidão ou coceira e procure um profissional se a dor persistir.
Barbatimão: uso externo e cuidado com a ferida
O barbatimão (Stryphnodendron adstringens) é uma árvore do Cerrado, usada por tradição para ajudar na cicatrização. Há pomadas e outros produtos feitos com ele.
Feridas profundas, que não cicatrizam ou ficam inchadas e com secreção precisam de avaliação médica. Use apenas produtos com registro e siga a bula.
Chás medicinais: como preparar e o que observar
O preparo mais comum é a infusão: coloca-se água quente sobre as folhas, tampa-se e espera-se alguns minutos antes de coar. As partes mais duras, como cascas, costumam pedir outro preparo.
Hortelã, erva-cidreira e camomila são chás de uso muito comum. Cada uma tem espécies diferentes, e o gosto e os efeitos variam. Para cultivar a hortelã, veja como cuidar de hortelã em casa.
- ✿ Planta fresca: lave bem e use folhas de planta saudável.
- ✿ Preparo na hora: o chá guardado por muito tempo pode estragar.
- ✿ Produto industrializado: prefira os com registro e leia o rótulo.
- ✿ Quantidade e tempo de uso: definidos por um profissional.
Cultivo de plantas medicinais em casa
Ter algumas ervas em vaso facilita o acesso a folhas frescas e limpas. Comece com espécies simples e que combinam com o clima da sua região.
Cada planta pede luz, rega e substrato diferentes. A tabela traz uma base para o começo. Ajuste conforme o clima, o vaso e o substrato.
| Planta | Luz | Rega e substrato |
|---|---|---|
| Alecrim | Sol pleno | Substrato seco entre regas e bem drenado; não encharcar |
| Hortelã | Meia-sombra a sol suave | Substrato levemente úmido; cresce rápido, melhor em vaso próprio |
| Boldo-brasileiro | Luz indireta brilhante ou meia-sombra | Rega quando a superfície secar; bom escoamento |
| Agrião | Meia-sombra em clima quente | Substrato sempre úmido; gosta de ambientes frescos |
Hoje, enfie o dedo 2 a 3 cm no substrato de uma erva do seu vaso. Se estiver seco, regue até a água escorrer pelos furos e esvazie o prato.

Terapias complementares e o SUS
O SUS oferece 29 Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), como acupuntura, auriculoterapia, tai chi chuan, lian gong e dança circular. A fitoterapia é uma delas.
Essas práticas são oferecidas como complemento ao cuidado, e não como substituição de diagnóstico e tratamento. Procure a unidade de saúde do seu município para saber o que está disponível.
Conclusão
As plantas medicinais fazem parte da cultura brasileira e merecem respeito, o que inclui conhecer os limites e os riscos. O uso popular é um ponto de partida, e não uma prova de eficácia.
Identifique bem cada planta, prefira produtos registrados e converse com um profissional antes de usar com frequência. Assim você aproveita o que a tradição oferece com mais segurança.
Veja também: Kava kava: para que serve e quais os cuidados
Perguntas frequentes
O que são plantas medicinais?
São plantas usadas de forma tradicional para fins de saúde. O uso popular não comprova que sejam seguras para todos, então converse com um profissional antes de usar.
Qual a diferença entre planta medicinal e fitoterápico?
A planta medicinal é a planta em si, usada de forma tradicional. O fitoterápico é um produto industrializado, com controle de qualidade e registro na Anvisa.
Posso tomar chá de planta medicinal todos os dias?
Depende da planta e da pessoa. Algumas inspiram cautela no uso prolongado, por isso converse com um médico ou farmacêutico, principalmente se você usa medicamentos.
Plantas medicinais podem ser tóxicas?
Sim. Algumas plantas fazem mal quando usadas em excesso ou quando são confundidas com outras. Mantenha longe de crianças e animais e, em caso de ingestão acidental, ligue para o Disque-Intoxicação (0800 722 6001) ou para o SAMU (192).
Chá de passiflora serve para ansiedade?
Ela é usada de forma popular como calmante leve, e há estudos, mas as provas ainda são limitadas. Não substitui o acompanhamento de um profissional de saúde mental.
- Embrapa: documento sobre plantas medicinais (acesso em DD/MM/AAAA)
- Secretaria da Saúde do Ceará: manual prático de Farmácia Viva (acesso em DD/MM/AAAA)
- Emater-DF: cartilha de plantas medicinais (acesso em DD/MM/AAAA)
- OPAS: medicinas tradicionais, complementares e integrativas (acesso em DD/MM/AAAA)
- Secretaria de Saúde de MG: Práticas Integrativas e Complementares (acesso em DD/MM/AAAA)
- SciELO, Revista Brasileira de Plantas Medicinais (acesso em DD/MM/AAAA)
Aviso: este conteúdo é informativo e educativo e não substitui a orientação de médico, farmacêutico, médico-veterinário, agrônomo ou outro profissional. Os resultados no cultivo variam conforme clima, espécie, variedade, vaso e substrato.








