Atualizado em: 04/11/2026
- Nome científico, descrição e distribuição conferidos na Embrapa e no Ministério da Saúde.
- Uso medicinal reescrito: uso popular, estudos e reconhecimento oficial separados, com contraindicações.
- Removidas afirmações sem fonte confiável (vitaminas da pimenta-rosa, mel, benefícios para a pele).
- Novas caixas de segurança, tabela para identificar a espécie e FAQ revisado.
- Fontes trocadas por fontes oficiais.
- Planta: aroeira-mansa (Schinus terebinthifolius)
- Uso popular: casca em decocto, banhos de assento e lavagem de feridas; frutos como condimento (pimenta-rosa)
- Parte usada: casca do caule (medicinal) e frutos maduros (culinária)
- Cuidado principal: pode causar alergia na pele; o uso medicinal exige orientação profissional
- Quem deve evitar: gestantes, lactantes e pessoas alérgicas à planta
A aroeira-mansa (Schinus terebinthifolius) é uma árvore nativa da América do Sul, comum no Brasil, também conhecida como aroeira-vermelha, aroeira-pimenteira ou aroeira-da-praia.
Quando jovem, ela costuma ter de 5 a 10 metros de altura, e os adultos podem chegar a 15 metros, segundo a Embrapa Florestas. Por isso aparece em praças, parques e grandes jardins.
Seus frutos vermelhos são a pimenta-rosa, um condimento usado na culinária brasileira e internacional. As flores atraem abelhas, moscas e vespas, e as aves se alimentam dos frutos.
A aroeira também é uma espécie pioneira: cresce cedo em áreas degradadas e ajuda a recuperar o ambiente. Em compensação, exige cuidado, porque pode causar alergia na pele e o uso medicinal tem restrições importantes.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta com médico ou farmacêutico. O uso popular da aroeira não prova que ela funcione ou seja segura para todos. Gestantes, lactantes, crianças, idosos e pessoas que usam medicamentos devem conversar com um profissional antes de usar qualquer produto à base da planta. Nunca interrompa um tratamento por conta própria. Quanto à pimenta-rosa, consuma apenas produto de origem conhecida e nunca colha frutos silvestres sem identificação segura da espécie.
A aroeira é da família do caju e da manga, e a planta pode causar reação alérgica na pele de pessoas sensíveis, por causa de substâncias chamadas alquil-fenóis. Use luvas ao podar e evite o contato da seiva com pele e olhos. Para cães e gatos, não há dados confiáveis sobre a segurança da planta; por cautela, não deixe que mordam folhas, cascas ou frutos e procure um veterinário em caso de ingestão. Para pessoas, em caso de ingestão ou reação intensa, ligue para o Disque-Intoxicação (0800 722 6001) ou para o SAMU (192).
O que é a Aroeira Mansa?
A aroeira-mansa pertence à família Anacardiaceae. Seu nome científico é Schinus terebinthifolius Raddi, e muitos textos usam a grafia Schinus terebinthifolia, tratada como sinônimo.
Apesar do nome, a pimenta-rosa não tem parentesco com a pimenta-do-reino. Ela vem de uma árvore da família do caju e da manga.
Nomes populares e cuidado com a espécie
Segundo o Ministério da Saúde, a espécie também é chamada de aroeira-da-praia, aroeira-vermelha, aroeira-pimenteira, aroeira-do-brejo e aroeira-negra, entre outros nomes.
O nome aroeira é usado para outras plantas, como Schinus molle (aroeira-salsa), Myracrodruon urundeuva (aroeira-do-sertão) e Lithraea molleoides (aroeira-brava). Em algumas fontes, aroeira-mansa também é nome de Schinus molle. O Ministério da Saúde destaca que essas duas espécies devem ser diferenciadas para evitar troca.
Descrição botânica da aroeira-mansa
O tronco é curto e tortuoso, com copa larga e pouco densa. A casca externa é escura, grossa e rugosa, e a interna é avermelhada, com cheiro de terebintina, uma resina.
As folhas são compostas e, em geral, têm de 9 a 11 folíolos. A árvore é dioica: existem plantas masculinas e femininas, e só as femininas dão frutos.
As flores são pequenas, com pétalas brancas. Os frutos são pequenos e redondos, verdes no início e vermelhos quando maduros. A época de floração e frutificação varia conforme a região. No Espírito Santo, por exemplo, há dois períodos: de meados de novembro a janeiro e de maio a junho.
Origem e Distribuição da Aroeira
A aroeira-mansa ocorre naturalmente no leste e nordeste da Argentina, no leste do Paraguai, no Uruguai e em vários estados brasileiros, do Nordeste ao Sul.
No Brasil, é muito vista na Mata Atlântica e em restingas, mas se adapta a ambientes secos e a climas bem diferentes.
Fora da área de origem, ela pode se tornar invasora. Foi levada à Flórida como planta ornamental em 1898 e hoje é considerada exótica invasora lá. Por isso, evite plantá-la longe de sua área de ocorrência natural.
Benefícios e Usos da Aroeira
A aroeira-mansa tem uso medicinal popular e uso culinário, e os dois pedem cuidado. A seguir, separamos o que é tradição, o que tem estudo e o que é reconhecido oficialmente.
Uso popular, estudos e reconhecimento oficial
Uso popular. Estudos etnobotânicos registram o uso da casca em decocto, em banhos de assento após o parto e como remédio caseiro para problemas urinários e respiratórios. Folhas e frutos aparecem na água usada para lavar feridas.
Estudos. Em laboratório e em animais, extratos da planta mostraram ação anti-inflamatória, cicatrizante, antioxidante e antimicrobiana. Em pessoas, há estudos com formulações específicas, como gel vaginal, tintura bucal e comprimidos para gastrite. Vários têm limitações e possível conflito de interesse, e em um estudo maior o gel de aroeira curou menos do que o metronidazol. Isso não autoriza o preparo caseiro de chás ou extratos.
Reconhecimento oficial. A aroeira-da-praia integra a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS. O documento do Ministério da Saúde indica a casca do caule como parte usada, conforme o Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, e descreve um medicamento fitoterápico simples registrado na Anvisa, em gel e óvulo de uso ginecológico. A situação atual desse registro deve ser conferida na Anvisa.
Contraindicações e cuidados
O Ministério da Saúde lista como contraindicações a hipersensibilidade à planta e a gravidez, porque em um estudo com ratas o extrato oral causou malformações ósseas nos filhotes. O documento também sugere informar no rótulo que o produto não deve ser usado na gravidez nem na amamentação.
Há outros alertas: reações alérgicas na pele e nas mucosas por contato com a planta ou com produtos que a contenham, e ardor, irritação e assadura no uso vaginal. Em testes de laboratório, um extrato da casca também mostrou potencial de dano ao DNA. Não há relatos de interações com medicamentos, mas isso não prova que elas não existam. Não há orientação de uso para crianças.
Por isso, converse com um médico ou farmacêutico antes de usar qualquer produto de aroeira. Veja também nosso guia sobre contraindicações de plantas medicinais.
Pimenta-rosa na culinária
Os frutos maduros, conhecidos como pimenta-rosa, servem de condimento para carnes brancas, peixes, massas, doces e bebidas. O sabor é levemente picante e adocicado, e na França ela é chamada de poivre rose.
Use pouco, como tempero, e prefira produto de origem conhecida. Quem já teve reação alérgica à aroeira, ao caju ou à manga deve conversar com um médico antes de consumir. Outras aroeiras, como a Schinus molle, também têm frutos pequenos e vermelhos em cachos, então confira o rótulo do produto.
Aroeira (Schinus terebinthifolius) na Arborização Urbana
Com porte médio, flores e frutos que atraem polinizadores e aves, a aroeira-mansa é uma opção para praças, parques e grandes jardins. Como a copa é larga e pouco densa, ela dá sombra leve. Veja mais sobre o assunto em arborização urbana.
Escolha bem o local. A planta pode causar alergia em pessoas sensíveis, segundo o herbário da UNIRIO, e as árvores femininas soltam frutos. Evite plantá-la onde crianças brincam ou onde muita gente passa de perto.
Poda ou remoção de árvore em calçada pode exigir autorização da prefeitura. Poda em altura ou perto de rede elétrica deve ser feita por profissional. Use luvas e óculos, porque o contato com seiva e cascas pode irritar a pele.
Cultivo da Aroeira Mansa
Como pode chegar a 15 metros, a aroeira-mansa pede espaço: é indicada para quintais amplos, chácaras e áreas de recuperação, e não para vasos.
Solo, luz e clima
Ela cresce a pleno sol e se adapta a solos pobres e arenosos, mas não tolera bem solo mal drenado: o encharcamento prolongado prejudica e pode matar a árvore. Aguenta climas bem diferentes, com média anual de 3,2 °C a 27 °C nas áreas estudadas pela Embrapa. Responde bem à adubação.
Mudas
As mudas são feitas por semente, em recipiente com solo arenoargiloso ou com solo e composto orgânico em partes iguais, e ficam prontas para o plantio em cerca de 120 dias. Antes de ir para o local definitivo, passam por pelo menos 30 dias de adaptação ao sol. Mantenha o solo úmido, sem encharcar.
Plantio e poda
Plante no início das chuvas, a pleno sol, com a base do caule no nível do solo. Em plantios para produção de frutos, a Embrapa recomenda de 4,5 a 6 metros entre as plantas. Nessa produção, a poda é feita logo após a colheita, em geral entre 15 de julho e 15 de agosto no Espírito Santo.
Retirar mudas ou sementes da natureza pode ser crime ambiental. Compre mudas de viveiros regularizados e não descarte restos de poda em matas e rios.
Importância Ecológica da Aroeira
A aroeira-mansa é pioneira: se adapta a solos pobres, arenosos e degradados, como restingas alteradas. Aves de várias famílias espalham suas sementes, e abelhas, moscas e vespas fazem a polinização, o que atrai fauna para a área.
Projetos de reflorestamento
Por ser pioneira, é indicada para recuperar áreas degradadas, junto com outras árvores nativas do Brasil para reflorestamento. Procure mudas de viveiro e evite plantar fora da área de ocorrência natural.
Potencial Econômico da Aroeira
A pimenta-rosa gera renda para comunidades, principalmente no Espírito Santo, onde grande parte da produção vem de Linhares e São Mateus. Segundo a Embrapa, algumas árvores em São Mateus chegam a produzir até 80 kg de frutos por planta na colheita, mas a produção das árvores nativas costuma ser baixa.
A Embrapa também alerta que o extrativismo da aroeira é, em grande parte, não sustentável: muitos coletores derrubam as árvores para colher mais rápido. Ao comprar pimenta-rosa, prefira marcas que informem a origem.

Aroeira na Indústria de Cosméticos
Segundo a Embrapa, o óleo da polpa dos frutos tem potencial para cosméticos, mas o processo de extração ainda precisa de aprimoramento para atender ao mercado internacional.
Em testes iniciais, um extrato das folhas associado ao ácido linoleico reduziu a produção de melanina em células e, em 12 voluntários, um extrato aquoso das folhas foi bem tolerado pela pele. São resultados preliminares, que não comprovam efeito contra acne, psoríase ou envelhecimento.
Produtos para a pele com aroeira podem causar alergia. Teste em uma área pequena antes de usar e procure um médico em caso de ferida profunda ou infecção.
Aspectos Paisagísticos da Aroeira
A aroeira-mansa pode aparecer como arbusto ou como árvore. As flores brancas, as folhas compostas e os frutos vermelhos dão beleza ao conjunto, mas lembre que só as árvores femininas produzem frutos.

Culturas e Lendas sobre a Aroeira
A aroeira faz parte da cultura popular brasileira, com histórias, simpatias e usos mágico-religiosos registrados em estudos etnobotânicos citados pelo Ministério da Saúde.
Essas são tradições culturais, sem comprovação científica. O site respeita todas as crenças e não promete resultado.
Como Identificar a Aroeira
Como o nome aroeira vale para várias plantas, a tabela abaixo ajuda a diferenciar as mais citadas.
| Planta | Como reconhecer | Observação |
|---|---|---|
| Aroeira-mansa ou aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius) | Folhas compostas, frutos vermelhos brilhantes em cachos e tronco de 30 a 60 cm de diâmetro | Árvore dioica; só as femininas têm frutos |
| Aroeira-salsa (Schinus molle) | Folhas pendentes e tronco de 25 a 35 cm de diâmetro | Pode ser chamada de aroeira-mansa em algumas fontes |
| Aroeira-do-sertão (Myracrodruon urundeuva) | Espécie diferente, distinguida por características microscópicas das folhas | Confirmação com especialista |
Em caso de dúvida, leve um ramo com folhas, flores ou frutos a um botânico, a um jardim botânico ou a um herbário. Não use nem consuma plantas que você não consegue identificar com segurança.
Conclusão
A aroeira-mansa (Schinus terebinthifolius) é uma árvore nativa importante para a recuperação de áreas degradadas, para a fauna e para a produção de pimenta-rosa.
Ao mesmo tempo, pede cuidado: pode causar alergia, tem contraindicações no uso medicinal e não deve ser confundida com outras aroeiras. Em caso de dúvida, procure um profissional.
Veja também: árvores nativas do Brasil e árvores de sombra de crescimento rápido.
FAQ
O que é a aroeira-mansa?
É uma árvore nativa da América do Sul, de nome científico Schinus terebinthifolius. Também é chamada de aroeira-vermelha e aroeira-pimenteira, e seus frutos são a pimenta-rosa.
A aroeira pode causar alergia?
Sim. A planta pode causar reação alérgica na pele de pessoas sensíveis. Use luvas ao podar e evite o contato da seiva com pele e olhos.
Quem não deve usar aroeira como remédio?
Gestantes, lactantes e pessoas alérgicas à planta devem evitar. Converse com um médico ou farmacêutico antes de usar qualquer produto de aroeira.
A pimenta-rosa pode ser consumida?
Ela é usada como condimento, em pequena quantidade. Prefira produto de origem conhecida e converse com um médico se você tem alergia à aroeira, ao caju ou à manga.
Posso plantar aroeira em casa?
Se você tem espaço, sim: ela exige sol pleno e solo bem drenado. É uma árvore que pode chegar a 15 metros, então não é indicada para vasos.
- Ministério da Saúde: Informações Sistematizadas da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS, Schinus terebinthifolius (aroeira-da-praia), 2021
- Embrapa Florestas: Cultivo da aroeira-vermelha para produção de pimenta-rosa, Documentos 294, 2016
- UNIRIO, Herbário: Schinus terebinthifolia Raddi
Aviso: este conteúdo é informativo e educativo e não substitui a orientação de médico, farmacêutico, médico-veterinário, agrônomo ou outro profissional. Os resultados no cultivo variam conforme clima, espécie, solo e manejo.








